Fonte: Portal Logweb
A escassez global de isotanks e a volatilidade do frete marítimo internacional estão levando a indústria química brasileira a rever sua estratégia de importação de líquidos. Diante da dificuldade de acesso aos equipamentos especializados utilizados no transporte de produtos líquidos, empresas do setor começam a adotar alternativas que reduzem a dependência desses ativos logísticos e ampliam a previsibilidade das operações de comércio exterior.
Segundo a DHL Global Forwarding, empresa especializada em transporte internacional de cargas e soluções logísticas, o cenário de elevada demanda por isotanks na Ásia, especialmente na China, tem provocado aumento de custos e dificuldades para embarques destinados ao Brasil. Como resposta, a companhia estruturou uma operação piloto entre a China e o Porto de Santos para uma multinacional do setor químico, substituindo os isotanks por flexitanks.

Flexitanks reduzem custos e ampliam disponibilidade logística
Os flexitanks são reservatórios flexíveis compostos por multicamadas de polietileno de alta resistência, instalados no interior de contêineres convencionais. Com essa configuração, a carga líquida deixa de depender de isotanks, passando a utilizar a ampla disponibilidade da frota mundial de contêineres de carga geral.
De acordo com a DHL Global Forwarding, o projeto validou a viabilidade técnica e econômica do novo modelo, resultando em uma redução aproximada de 40% no custo logístico total da rota entre China e Brasil. A experiência também abriu caminho para a expansão da solução em outros fluxos de abastecimento da América Latina.
O desequilíbrio na oferta de isotanks está relacionado à própria dinâmica do comércio internacional. A China concentra grande parte das exportações de líquidos industriais, enquanto o retorno e o reposicionamento desses equipamentos elevam significativamente os custos para os operadores. Como consequência, a disponibilidade torna-se limitada, aumentando a concorrência pelo uso dos ativos.
“Em um cenário de volatilidade global, em que a premissa passou a ser garantir o embarque e a previsibilidade da matéria-prima tornou-se mais crítica do que a busca pelo menor frete spot, o controle do ativo traz resiliência à linha de produção”, afirma Eric Brenner, CEO da DHL Global Forwarding no Brasil.
Historicamente, parte da indústria química demonstrava resistência ao uso de flexitanks devido ao receio de avarias e da perda de produto durante a descarga. Segundo a empresa, os equipamentos utilizados pela DHL possuem um sistema interno que otimiza o escoamento do líquido, reduzindo o volume residual após o descarregamento. No projeto-piloto, as equipes técnicas da companhia e da planta industrial brasileira identificaram maior eficiência operacional, rapidez na descarga e baixo índice de resíduos.
Outro aspecto destacado pela empresa envolve a sustentabilidade da operação. Diferentemente dos isotanks, que exigem processos de lavagem química entre as utilizações, os flexitanks eliminam essa etapa, reduzindo o consumo de água e a geração de efluentes industriais. Após o uso, o polietileno empregado na fabricação dos reservatórios é destinado a parceiros homologados para reciclagem, permitindo sua reinserção na cadeia produtiva.
Para atender à crescente demanda por esse modelo, a DHL Global Forwarding informa que adotou uma estratégia de verticalização da operação, controlando desde a fabricação do polietileno utilizado nos flexitanks até o processo de descarte e reciclagem do material. Segundo a empresa, a iniciativa busca oferecer maior previsibilidade logística em um cenário marcado por custos elevados, restrições na disponibilidade de equipamentos e mudanças constantes no comércio internacional.
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