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Demanda incerta para Black Friday e Natal desafia planejamento das transportadoras no Paraná

Logística e Supply Chain
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Demanda incerta para Black Friday e Natal desafia planejamento das transportadoras no Paraná

Fonte: Portal Logweb

A proximidade da Black Friday, do Natal e das tradicionais datas de pico do comércio eletrônico no último trimestre já movimenta o setor de transporte rodoviário de cargas no Paraná. Contudo, a preparação das transportadoras para 2026 ocorre em meio a um cenário de volatilidade e sinais mistos sobre o comportamento do consumo.

Depois de registrar um crescimento de 7,41% em 2024, o varejo paranaense recuou 1,49% em 2025. Embora os primeiros meses de 2026 apontem para uma recuperação moderada — com alta de 1,53% nas vendas de janeiro a junho em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Fecomércio PR —, a intensidade da demanda para o final do ano ainda é uma incógnita.

O peso da inadimplência e a cautela do consumidor

O comportamento do consumidor tem sido moldado por indicadores financeiros ambivalentes. De acordo com levantamento da CNC e da Fecomércio PR, 88% das famílias paranaenses estavam endividadas em agosto de 2026 (ante 85,7% em 2025), sendo que a parcela com contas em atraso saltou de 12,4% para 18,5% no período. Atualmente, as dívidas comprometem 32,5% da renda média das famílias no Estado.

Por outro lado, o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) subiu para 98,9 pontos em agosto, acumulando três altas consecutivas, embora ainda permaneça ligeiramente abaixo da zona de satisfação (100 pontos). Para o setor logístico, isso significa que há disposição para consumir, mas a inadimplência elevada pode limitar o poder de compra e concentrar as vendas em janelas muito curtas.

Estratégias para evitar a ociosidade da frota

Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR), Silvio Kasnodzei, a expectativa é de movimentação impulsionada principalmente pelo e-commerce, mas exigindo cautela redobrada no dimensionamento das operações.

“Nossa leitura é de que teremos uma demanda mais concentrada em janelas curtas e intensas, puxada pelas datas promocionais, e não um volume distribuído ao longo de todo o trimestre. Isso exige capacidade de resposta rápida, mas com uma estrutura mais enxuta”, afirma Kasnodzei.

O principal receio das transportadoras é superdimensionar a frota e as equipes temporárias para novembro e enfrentar alta ociosidade em janeiro e fevereiro — meses tradicionalmente mais fracos para o transporte. Veículos parados geram custos fixos expressivos com financiamento, seguros, IPVA, manutenção e depreciação.

Por isso, as empresas têm buscado alternativas flexíveis, como o uso de agregados, parcerias entre transportadoras e contratos de curta duração.

Parceria e previsibilidade com os embarcadores

Diante de um cenário em que campanhas digitais concentram grandes volumes em poucos dias, o SETCEPAR destaca que a troca antecipada de informações entre embarcadores e transportadoras tornou-se o fator chave para mitigar riscos. Quanto antes as projeções de volume forem compartilhadas, melhor será o dimensionamento das frotas.

“Uma empresa consegue operar com custos elevados se tiver volume firme e previsível. O que realmente pressiona a margem é combinar custos altos com capacidade ociosa. Hoje, essa incerteza é uma das variáveis que mais influenciam a decisão de investir ou não na operação”, conclui Kasnodzei.

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